TODO LEÃO TEM UM DONO: UMA MENSAGEM AO MPLA E AOS ANGOLANOS SOBRE PODER, HUMILDADE E RESPONSABILIDADE

A frase “Todo leão tem um dono” pode parecer provocadora, mas também pode ser entendida como uma profunda lição de vida: ninguém é tão poderoso que esteja acima de limites, responsabilidades ou consequências.
Aplicada à vida pública angolana, a mensagem não precisa ser vista como um ataque a uma pessoa ou a um partido. Pode ser lida como um convite à reflexão dirigido ao MPLA, aos restantes atores políticos e a todos os cidadãos. Angola aproxima-se de um novo ciclo político, com o próprio MPLA já assumindo publicamente a preparação para as eleições gerais de 2027 e para o seu IX Congresso Ordinário.
O leão representa força, autoridade, domínio e confiança. Mas a história humana ensina que a força sem prudência pode transformar-se em fraqueza. Uma organização pode ter estruturas poderosas, décadas de experiência e grande influência, mas continuará dependente da confiança das pessoas, da qualidade das suas decisões e da capacidade de reconhecer erros.
É aí que a frase ganha profundidade: o verdadeiro “dono” do poder não deveria ser o ego, nem o cargo, nem a organização; deveria ser a responsabilidade.
Para qualquer partido que governa, a permanência no poder pode criar a tentação de confundir autoridade com propriedade. Porém, governar um país não significa possuir o país. As instituições pertencem ao Estado, e o futuro nacional envolve cidadãos de diferentes opiniões, gerações e condições sociais.
O próprio MPLA afirma oficialmente que pretende aumentar a eficácia da atuação dos seus representantes e defender os interesses dos cidadãos. Essa declaração estabelece também uma medida pela qual qualquer força governante pode ser observada: não apenas pelos discursos, mas pelos resultados concretos sentidos na vida das populações.
A lição vale igualmente para os angolanos. Um povo não deve colocar toda a responsabilidade pelo seu futuro apenas nos dirigentes.
A cidadania também exige consciência, educação, participação, capacidade de questionar informações, respeito pelas diferenças e responsabilidade na forma como cada pessoa contribui para a sociedade.
Todo leão tem um dono também significa que todos nós respondemos perante alguma coisa maior do que nós próprios. O dirigente responde perante as instituições e os cidadãos. O empresário responde perante trabalhadores e clientes. O pai e a mãe respondem perante a família. O jornalista responde perante os factos. O cidadão responde pelas suas escolhas.
Quanto maior o poder, maior deveria ser a humildade.
Há ainda outra lição importante: nenhuma posição é eterna. Governos mudam, dirigentes passam, gerações sucedem-se e circunstâncias económicas transformam-se. Angola enfrenta atualmente desafios de longo prazo, incluindo a necessidade de continuar a reduzir a dependência económica do petróleo, segundo avaliações recentes do FMI citadas pela Reuters. Isso mostra que, para além das disputas partidárias, existem problemas nacionais que exigem políticas consistentes e instituições capazes de sobreviver às pessoas que temporariamente as dirigem.
Assim, a mensagem ao MPLA pode ser entendida desta forma: a força política torna-se mais sustentável quando aceita limites, escuta críticas, presta contas e compreende que autoridade não elimina responsabilidade.
E a mensagem aos angolanos é igualmente séria: não devemos esperar salvadores. Um país constrói-se quando os cidadãos compreendem que o seu futuro depende tanto das instituições como da participação consciente da sociedade.
No fim, talvez o significado mais profundo da frase seja este:
O leão pode dominar a selva durante algum tempo, mas nem a força, nem o medo, nem o poder conseguem substituir para sempre o respeito. Quem possui autoridade deve aprender a governar primeiro a si próprio.
Essa é uma lição que não pertence apenas ao MPLA. É uma lição para qualquer partido, qualquer dirigente e qualquer cidadão que algum dia tenha poder nas mãos.

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